Assessoria inteligente

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Que os métodos de se desenvolver um bom trabalho de assessoria de imprensa mudaram, só desinformados e desatualizados duvidam. A forma de se relacionar com a imprensa para emplacar notícias de uma determinada organização foi radicalmente alterada, porque a maneira de as pessoas se informarem também sofre mudança. E a mudança é sinalizada a partir dos Estados Unidos, de onde muitas tendências comunicacionais são imitadas pelo Brasil. Segundo uma pesquisa feita pela organização Schools.com, entre os norte-americanos entrevistados, 27,8% deles disse que sua principal fonte de notícias são as redes sociais. Os jornais ficaram com 28,8% das respostas e a TV com 59,5%. As redes sociais superaram o rádio (18,8%) e outras publicações impressas como as revistas. Isso é totalmente significativo e sintomático. Se as pessoas aumentam sua busca por notícias em redes sociais, é ali que assessores de imprensa devem intensificar sua atuação. E não desprezar Facebook, Twitter, Pintrest, Thumblr ou quaisquer outros meios que ainda serão desenvolvidos. Deixo, por isso, três razões para os assessores de imprensa aprenderem a utilizar as redes sociais como ferramentas de divulgação para sua organização. Eu uso o verbo aprender, porque considero que há muitos jornalistas mais antigos que ainda não compreenderam o tempo real vivido no contexto de comunicação integrada e digital. 1. Use as redes sociais porque é um meio de diálogo mais informal com os ocupadíssimos colegas de redação. A lógica é muito simples. As redações estão mais enxutas do que antes e os jornalistas atuam como profissionais multimídia, ou seja, produzem conteúdo noticioso simultaneamente para TV, rádio, impresso e web. Produtores, pauteiros e chefes de reportagem estão, portanto, mais ocupados ainda do que antigamente e seu tempo é ouro puro. Apresentar a eles, nas redes sociais, as pautas e utilizar o canal para conversação rápida pode ser mais eficiente do que os tradicionais telefonemas e mesmo envio de e-mails. Claro que ainda vale o registro do correio eletrônico, quando for necessário enviar material em maior quantidade. Mas a abordagem pode ser pelas redes sociais desde que obviamente haja um interesse mútuo para esse diálogo e interesse pela pauta sugerida. As redes sociais permitem esse forte relacionamento mais pessoal e menos formal. Como diz Martha Gabriel, emMarketing na era digital, “social significa interação de pessoas com pessoas e não empresa-pessoa ou pessoa-empresa. Social significa relacionamento, conquista, engajamento, ética, respeito e transparência”. 2. Esteja atento às oportunidades de abordagens dos meios de comunicação evidenciadas em seus perfis oficiais. Aproveitar oportunidades de divulgação deve ser uma das especialidades do bom assessor de imprensa. Muitas vezes, nos perfis de jornalistas de redação ou mesmo de empresas de comunicação surge uma informação que pode ser estratégica. É um pedido de personagem, o aviso de uma série de reportagens futura, enfim, é preciso saber ler tweets, posts no Facebook e mesmo novas atualizações no You Tube. Isso é importante, inclusive, para não se vender temas que a empresa acabou de abordar. Verifique o que os meios de comunicação estão planejando antes de investir com sua sugestão de pauta. 3. Com as redes sociais, estabelece-se uma via de mão dupla. Assessor e assessorado também ouvem o que o veículo tem a dizer. Joel Comm, em seu livro O poder do Twitter, disse que “o Twitter é uma ferramenta de comunicação que funciona nas duas direções – e isso é muito importante”. A máxima para o Twitter vale para outras redes sociais. Convivemos no ambiente da comunicação de mão dupla. Não é somente os assessores que têm algo a oferecer aos veículos. As empresas, com seus colunistas e jornalistas, também podem dar valiosas dicas sobre que tipo de ações sua organização pode realizar e não está realizando. Para quais áreas ela deveria dar atenção, mas não o está fazendo. Essas orientações, no entanto, não vêm tão explícitas assim. Estão, muitas vezes, nas entrelinhas do que esses formadores de opinião postam em seus perfis. Cabe à assessoria inteligente saber interpretá-los e usá-los a seu favor. Aliás, essa é diferença entre tantos que geram dados. Há os que a transformam em conhecimento e esses serão bem sucedidos. Por outro lado, há os que disparam dados descontextualizados. Algo perecível e sem grande utilidade.   Felipe Diemer de Lemos Jornalista, pós-graduado em Marketing Estratégico, desde 1994 atuando na área de comunicação, atualmente assessor de comunicação das instituições adventistas na América do Sul. @felipelemos29